terça-feira, 23 de abril de 2013

LIDERANÇA PESSOAL - SEJA PRÓ-ACTIVO





 

Nada pior de que ficar sentado à espera que as coisas aconteçam.
  A maioria das pessoas de que se ouve falar, pela notoriedade que adquiriram, são pessoas que criaram o seu próprio futuro, que fizeram as coisas acontecer. Existe uma máxima muito divulgada entre os gestores que diz que «o sucesso é conseguido com 90% de transpiração e 10% de inspiração.
  Muitas pessoas queixam-se de não terem sorte na vida, são pessoas muito acomodadas e que pensam que o seu «valor» deve ser reconhecido pelos outros, isto é, julgam dever ser solicitadas, ao invés de pró-activas.
  Por vezes falo com pessoas que se queixam de que o seu desempenho não é valorizado e de que os seus chefes nunca se preocupam em reconhecer o que fazem bem. Quando pergunto o que fazem por isso, ficam um pouco desconcertadas; na sua opinião os outros é que não devem andar «distraídos» e notar as boas coisas que eles fazem. De facto, concordo que isso é importante. No entanto, não podemos esperar que todas as pessoas estejam atentas a esses «detalhes», pelo que, se queremos que os outros valorizem aquilo que pensamos e/ou fazemos, devemos utilizar estratégias adequadas para o efeito.
  Se você acredita que está a fazer as coisas bem feitas mas que o seu chefe não repara, ou que tem boas ideias mas não lhe dão oportunidade de as pôr em prática, seja pró-activo fazendo com que as suas ideias cheguem à pessoa certa. Mais ainda, por vezes basta falar com o chefe e mostrar-lhe o quanto apreciamos que nos seja fornecido feedback sobre o nosso desempenho. Quando confrontadas com este tipo de situações a generalidade das chefias tende a mudar o seu comportamento.

  Falarei agora acerca de ideias. Todas as grandes realizações começam por ser sonhos na cabeça de alguém. Muitas vezes começam com uma simples intuição que vai ganhando consistência com o tempo. De repente, quando ganham forma, ficamos todos empolgados, acreditando que é a melhor ideia que jamais tivemos. É nesta fase que surgem normalmente as maiores desilusões: quando falamos da nossa ideia a alguém e esse alguém, pura e simplesmente, não mostra o entusiasmo que esperávamos. Nesta fase, muitas pessoas tendem a desistir e a pensar que da próxima será melhor.      Nada pior do que isto para que os sonhos não se realizem. 

  Passar de uma ideia à prática requer mais empenhamento e energia do que pode parecer. Implica que se acredite nela e que se determine uma forma sistematizada de a pôr em prática. Realizar, embora parta do sonho, não se esgota neste; se o sonho equivale a 10% da realização os restantes 90% são de verdadeira pró-actividade e luta pela sua concretização.
  Com este tipo de discurso não pretendo que se pense que acredito que todas as ideias são boas e exequíveis, porque, de facto, não acredito, a experiência diz-me que por cada 100 ideias aparentemente boas que se tem, se calhar, apenas 10, «têm pernas para andar».
  Como distinguir então as boas das más ideias? De facto não lhe consigo dar uma resposta categórica. (Se conseguisse provavelmente seria o homem mais rico do mundo), mas posso dar-lhe algumas pistas que pode seguir: Primeiro, escreva sempre as suas ideias num papel e, em duas colunas distintas, anote os fatores que podem dificultar a sua concretização e os que podem facilitar. Terminada esta fase, tente arranjar alguns «advogados do diabo» para acrescentar fatores à sua lista (provavelmente, do lado dos contras); na posse destes elementos, pense nas alternativas que tem para minimizar os pontos fracos da sua ideia e maximizar os fortes, finalmente, estabeleça um plano de ação detalhado para pôr em prática. Se, no final, continuar convencido da validade dela, então vá em frente e lute: seja pró-activo. Mas atenção, se a sua ideia for algo que envolva mudanças que possa afetar algumas pessoas, por melhor que seja em termos organizacionais, será  sempre má para aqueles que com a sua implementação sejam ameaçados ou com mais trabalho, ou com menos protagonismo, ou com perda de regalias.

  Eis alguns fatores que podem facilitar a aceitação das suas ideias:

  
  1 - Devem apresentar pouco risco, ou uma perspectiva de ganho, se derem certo, muito maior do que a perda, se falharem.

  2 - Serem compatíveis com a forma como as coisas já se fazem.


  3 - Devem ser fácis de explicar e de entender.


  4 - E você deve estar preparado para resolver de uma forma convincente e sem perder o entusiasmo todas as objeções que lhe coloquem.


  Para ter uma prova do que a pró-actividade funciona, vou-lhe dar um de muitos exemplos que poderia aqui citar. A dar-lhe este exemplo não quero dizer que me identifique, ou não, com a pessoa quer com os seus ideais (porque para o efeito, a minha opinião sobre isso não interessa); admiro sim o seu percurso e determinação na prossecução dos seus objetivos e ideias: Mário Soares. Desde muito cedo que o ex-presidente tinha convicções muito fortes sobre um modelo de sociedade; lutou por elas, esteve preso, foi exilado, mas nunca desistiu; tudo fez para contribuir para a realização do seu ideal até ao limite de atingir o lugar mais alto da Nação: a Presidência da República.
  Moral da história: se quer alguma coisa, lute por ela com todo o fervor que for capaz; não espere que as coisas lhe apareçam de bandeja; transforme o seu futuro naquilo que quiser que ele seja.
  Termino com a seguinte reflexão: já dizia António Gedeão «que o sonho comanda a vida e que cada vez que um homem sonha o mundo pula e avança». Eu acrescentaria, que para além do sonho, para que o mundo pule e avance, é necessário realizá-lo.



  Jorge Neves

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