segunda-feira, 15 de junho de 2015

GESTÃO E LIDERANÇA - A RECOMPENSA








                                          
                                                      Para cada esforço disciplinado há uma retribuição
                                                      múltipla

                                                                                                     Jim Rohn


  O esforço necessário para construir influência, o trabalho de prestar atenção, de amar, de nos dedicarmos aos outros e a disciplina necessária para adquirir novas competências e comportamentos deixa-me uma pergunta perturbadora. Todo esse esforço vale mesmo a pena? Esta é uma pergunta que tenho feito frequentemente a mim mesmo ao longo dos anos. O líder que opta pela autoridade é convocado para fazer muitas escolhas e sacrifícios. É necessária muita disciplina. Mas, claro, foi isso que nós escolhemos quando decidimos ser líderes. A disciplina requer dedicação e trabalho árduo, mas em compensação trás sempre recompensas.  A disciplina e o esforço exigidos para liderar com autoridade trar-nos-ão ganhos e benefícios Existem, de facto, várias recompensas, ou aquilo a que gosto de chamar «compensações». Quando escolhemos dedicar-nos servindo e sacrificando-nos em benefício dos outros, construímos influência. Um líder que sabe construir influência é um líder cujas competências serão muito apreciadas. A missão de construir autoridade servindo as pessoas pelas quais o líder é responsável pode dar a um líder uma verdadeira visão da direcção que ele, ou ela, vai tomar. E com essa visão vem o desígnio e o significado. Ao analisarmos os requisitos da liderança com autoridade percebemos que temos muito trabalho pela frente. Repare que eu falo de "Liderança com Autoridade, não de Liderança de/com poder".
  O trabalho de tratar os outros com bondade, de ouvir activamente, de demonstrar apreço, de elogiar, de reconhecer, de definir metas, de clarificar as expectativas, de responsabilizar as pessoas...isto é de facto uma missão diária. Disciplinar-se para liderar com autoridade para uma declaração de missão pessoal. Nos últimos anos tem-se tornado comum as empresas escreverem uma declaração sobre a sua missão, exprimindo aquilo a que se  dedicam. Mas nunca nos apercebemos do que é igualmente importante ter uma declaração da nossa missão pessoal, daquilo que NÓS representamos e daquilo que defendemos. Como alguém disse em tempos que se não defendermos alguma coisa, aceitaremos qualquer coisa.
  Uma das coisa que aprendi na minha vida profissional, foi não havia mal nenhum nas declarações de missão das empresas e suponho que até serviam e servem um propósito útil. Mas nunca devemos esquecer que as pessoas acreditam no líder antes de acreditarem numa declaração de missão. Depois de acreditarem no líder, elas acreditarão em qualquer declaração de missão que o líder faça.

  Ao sermos líderes temos uma oportunidade única de ter um verdadeiro impacto nas vidas dos outros. Ou podemos apenas seguir as massas e liderar à moda antiga: «Ou fazes o que eu quero ou arcas coma as consequências!»  Mas claro que aqueles que seguem as massas nunca serão seguidos por elas.
  Ter impacto nas vidas dos outros, contribui para a diferença, e é muito importante.
  Como líderes temos de amar os outros e de os tratar como gostaríamos de ser tratados. E como é que eu gostaria de ser tratado? Quero que o meu líder seja paciente comigo, que me dê atenção, apreço, encorajamento, que seja autêntico para comigo, que me trate com respeito, que satisfaça as minhas necessidades quando elas se manifestarem, que me perdoe quando eu fizer alguma asneira, que seja honesto comigo, que me dê o feedback, que me responsabilize e que esteja em última análise, comprometido. Podem crer que quero um líder com estas características.
  Então a Regra de Ouro diz como devo comportar-me em relação às pessoas que lidero, que é exactamente como eu gostaria que me tratassem.

  Irei agora falar de uma valiosa RECOMPENSA que tem de ser mencionada. E essa recompensa é a ALEGRIA.
  Mas o que é que a felicidade tem a ver com a liderança? Isto se se quiser colar o conceito de felicidade com o de alegria.
 Com alegria não quero dizer felicidade, porque a felicidade baseia-se em acontecimentos. Se acontecerem coisas boas, eu sinto-me feliz. Se acontecerem coisas más, sinto-me infeliz. A alegria é um fenómeno muito mais profundo que não se baseia em circunstâncias exteriores. A maioria dos grandes líderes que se basearam na autoridade mencionaram esta alegria. Buda, Jesus Cristo, Gandhi, Marter Luther King, e até Madre Teresa. A alegria está relacionada com o sentimento da satisfação interior e com a convicção de que estamos verdadeiramente em sintonia com os princípios profundos e imutáveis da vida. Servir os outros liberta-nos da prisão do EU e do egocentrismo que abafam a alegria de viver.

  Muitos egocêntricos nunca cresceram emocionalmente. Isto pode explicar-se da seguinte forma. Num determinado sentido, os recém-nascidos e os bebés são as criatura mais egoísta de todas: são autenticas máquinas de  «necessidades e desejos». Para uma criança, as necessidades pessoais e os desejos são o mais importante, e são exigidos às vezes por meio de gritos, porque, de facto, é a própria sobrevivência  da criança que está em jogo. Na altura dos do «terríveis três, quatro, cinco anos», a maioria das crianças tornam-se verdadeiros tiranos, subordinando o mundo aos seus desejos e às suas ordens. Infelizmente, há muitas pessoas que nunca ultrapassam a fase do «primeiro eu!» e vivem toda a vida como crianças de cinco anos, emotivas, vestidas com roupa de adultos, exigindo que o mundo satisfaça as suas necessidades e desejos. As pessoas que não crescem tornam-se cada vez mais egoístas e egocêntricas. Até constroem barreiras emocionais em torno das suas vidas egocêntricas. Essas pessoas muitas vezes sentem-se terrivelmente solitárias e infelizes por trás das barreiras que construiriam.
  Eu sempre digo que um dos benefícios da instituição casamento é a forma como proporciona uma oportunidade para os membros do casal se libertarem do seu egocentrismo, tornando-se mais atentos às necessidades dos outros, nomeadamente às do cônjuge. Ter filhos é ainda mais uma oportunidade de crescermos e de superarmos o nosso egoísmo ao dedicarmo-nos também aos nossos filhos. Uma das batalhas da vida de solteiro, ou mesmo na velhice, é a de não nos tornarmos demasiado egocêntricos. As pessoas egocêntricas são as pessoas mais solitárias e tristes que conheço.

  Amar os outros dedicarmo-nos a eles e liderar com autoridade são coisas que nos obrigam a deitar abaixo as barreiras do  nosso egoísmo e a aproximarmo-nos dos outros. Quando negamos as nossas próprias necessidades e desejos e nos dedicamos aos outros, crescemos. Tornamo-nos menos centrados em nós próprios e mais conscientes dos outros.  A alegria é um subproduto desta dedicação.

  Uma vez perguntaram a um ilustre psiquiatra, o que é que recomendava no caso de uma pessoa estar prestes a ter um esgotamento nervoso. Ele respondeu que aconselharia essa pessoa a sair de casa, a procurar uma pessoas que precisa-se de ajuda e que a ajudasse.
  Quando ajudamos alguém, sentimo-nos naturalmente  bem. Os únicos que serão realmente felizes são aqueles que tiverem procurado e encontrado uma forma de servir. Talvez o serviço e o sacrifício sejam  o preço que temos de pagar pelo privilégio de viver.
  A questão principal é que há uma grande alegria em liderar com autoridade, o que consiste em servir os outros, satisfazendo as suas necessidades legítimas. E é esta alegria que nos irá sustentar na nossa viajem através deste acampamento espiritual a que chamamos Planeta Terra. O nosso objectivo como seres humanos é o de crescermos na direcção da maturidade psicológica e espiritual. Amar, servir e dedicar-nos aos outros obriga-nos a sair do nosso egocentrismo. Amar os outros impele-nos para fora da idade mental dos terríveis cinco anos. Amar os outros obriga-nos a crescer.

  Jorge Neves